6.21.2005

Passeio no inconsciente

Caminho descalço, desperto.
Apenas uma gaivota por companhia.
Estonteante a imensidão do mar!
Penetrante o vazio que esconde,
as histórias que me quer contar.
Neptuno, embalado por duas sereias,
Parece observar-me ao longe.
Enigmático, o ronco de um farol,
Grita bem alto uma canção
só interrompida pelo murmúrio
sóbrio e contido de uma onda.
Os grãos de areia, esses,
parecem meter a conversa em dia.
Contam lendas de fadas,
de encontros e desencontros
e de viagens atribuladas.
O Sol, ao longe no horizonte,
prepara mais um dia de lavoura.
A natureza conjuga-se.
Envolve-se em misteriosa meditação.
E aqui, agora, neste preciso momento
observo a minha pequenez.
Como é enorme a sapiência das coisas.
E nós, nós simples humanos
ousamos observá-las com indiferença.
Por isso caminho descalço, desperto.
E de ti desfruto. E a ti contemplo
meu mundo incompreendido,
maltratado, reprimido.
Por ti caminho descalço, desperto.
E para ti caminho descalço, desperto.

Autoria: Saber a Sal

4 Comments:

Blogger Acácio Simões said...

Gostei...
Sóbrio, bonito e com um conteudo enriquecedor !

13:23  
Blogger Miguel said...

Aqui fica a retribuição da visita. Poesia e fotografia. Me gusta.
Um abraço
Miguel Silva

13:27  
Blogger Saber a Sal said...

Obrigado pela visita.
Contarei com o vosso sal para continuar a enriquecer este espaço.
1 abraço

13:48  
Blogger R/B Estação said...

Gostei de provar da essência deste sal.
Parabéns.

14:05  

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