7.07.2005

Para ti, Amor

Corpo de Mulher
Por: Pablo Neruda


Corpo de mulher,

brancas colinas,

coxas brancas,

assemelhas-te ao mundo no teu jeito de entrega.

O meu corpo de lavrador selvagem escava em ti

e faz saltar o filho do mais fundo da terra.

Fui só como um túnel.

De mim fugiam os pássaros,

e em mim a noite forçava a sua invasão poderosa.

Para sobreviver forjei-te como uma arma,

como uma flecha no meu arco,

como uma pedra na minha funda.

Mas desce a hora da vingança,

e eu amo-te.

Corpo de pele, de musgo,

de leite ávido e firme.

Ah, os copos do peito!

Ah os olhos de ausência!

Ah as rosas do púbis!

Ah a tua voz lenta e triste!

Corpo de mulher minha, persistirei na tua graça.

Minha sede,

minha ânsia sem limite,

meu caminho indeciso!

Escuros regos onde a sede eterna continua,

e a fadiga continua,

e a dor infinita.

3 Comments:

Blogger Amor Maior said...

Este poema fez-me lembrar este:

David Mourão-Ferreira
Ilha

Deitada és uma ilha
E raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente

promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente

Deitada és uma ilha
Que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro

ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias

11:59  
Blogger Saber a Sal said...

Lindo... obrigado por este momento. :-)

12:30  
Blogger Patricia said...

tanto um como o outro estão a altura do corpo de uma mulher... é um constante descobrir...e um enigma que nunca sera desvendado

01:34  

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